Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

A Igreja está a morrer! Ouvi dizer...


Estou preocupado e perplexo com as ‘perspectivas negativistas’ de algumas análises sobre a Igreja em Portugal e, particularmente, na Diocese de Coimbra. Perspectivas que insistem no que não somos capazes de fazer, ou na inconsequência dos planos e programas pastorais. Preocupa-me o ‘desalento’ e a insistência nos ‘culpados’… (que são sempre os outros, muitas vezes sem rosto e sem nome – como sejam os jovens e a sociedade). Ando perplexo com a pequenez de alguns horizontes. São vozes de mais para uma Diocese tão pequena.

Onde está a esperança cristã e o evangelho da ressurreição? Onde está o ânimo que vem de ‘dentro’ e o ‘entusiasmo’ que nos habita desde o baptismo? Queixamo-nos de quê e de quem? Que ‘autoridade’ temos para criticar ‘governos’ inoperantes e medidas ‘ineficazes’? Eis o nosso maior pecado – a falta de eternidade!

Tenho pensado muita nessa Igreja que somos. Fico com a sensação que somos muito parecidos com os foguetes – quando é para fazer festa, quando há muita gente fazemos como ninguém e o espectáculo acontece… mas rapidamente sentimos o ‘amargo’ das canas que caem depois da beleza das luzes… (também é trabalho nosso).

Os projectos e os trabalhos precisam de tempo, de dedicação, de persistência, de consistência e, fundamentalmente, de profundidade. Quando isso acontece, quando o Espírito Santo nos inunda… nada pode parar essa força que transforma a vida de cada pessoa e das comunidades.

Hoje já não me preocupo com a ‘sociedade que empurra a Igreja para a sacristia’… Hoje estou muito mais preocupado com a Igreja que não quer sair da sua sacristia. E nisso penso que uma nova geração de padres não nos dá muita esperança… Cada vez mais perfeitos, cada vez mais a olhar para o Céu e a esquecer a Terra (Deus quis incarnar e é esse Mistério que permite a dialéctica com o Mistério Pascal).

Uma igreja assim, que esquece a vida concreta dos homens e da mulheres, que se ‘queixa’ de tudo, que só pensa no ‘pecado’ e esquece a ‘graça’… não me interessa. Não me interessa e eu sou o primeiro a dizer que ‘não vale a pena’.

Mas essa não é a Igreja em que acredito, nem a Igreja que me faz levantar em cada manhã cheio de vontade de continuar a ser padre. Isto não quer dizer que tudo corra bem ou que os sucessos pastorais sejam a minha referência… Tudo acontece na Cruz - eis a nossa referência. Continuamos à espera de multidões, de números, de estatísticas… façamos mais silêncio e dediquemo-nos no essencial com a entrega honesta e séria que há-de ser o nosso ministério.

Se queremos aplausos ou vida fácil, se queremos facilitismo ou elogios permanente… então estamos no caminho errado e a frustração é a experiência de todos os dias. Para esse os dias que se seguem são (felizmente) dolorosos.

Uma Igreja sem esperança e sem a força do Espírito Santo… tem mesmo que morrer.

1 comentários:

"energia" disse...

Gostaria de encontrar-me com alguém interessado na Renovação.
Quem quer encontrar-se com o Cristo Vivo?
"Se quiserdes fazeis todas as coisas que Eu faço... e muito mais..." -Jesus
Quem está interessado no desafio?
Quem está interessado em deixar o seu Império?
Quem está interessado em descobrir e ajudar a descobrir O SENTIDO DA VIDA?
Um abraço em Cristo
jose gomes
equilibriosg@gmail.com