Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Eu sinto-me vítima de Bullying político


Não fui à guerra, não participei na revolução, nasci em 76.
Sinto pela primeira vez que temos que fazer mais pelo nosso (o meu) país.
Dizem-me que sempre foi assim. Dizem-me que o meu país sempre foi ‘feito de pessoas boas’ e acolhedoras, mas que tem tido poucas pessoas lúcidas a governar – não sei (mas parece ser verdade)!

Sinto que precisamos urgentemente de pessoas (mais) honestas. Precisamos de repor referências e modelos. Precisamos de valorizar o ‘bom’ distinguindo do ‘mau’. Não pode ser tudo a mesma coisa e as pessoas não são todas iguais. Há pessoas boas… mas infelizmente anda por aí muito ‘Sr. Dr.’ desonesto.

Em cada manhã, quando acordo a ouvir algumas notícias, sinto que ‘estão a gozar comigo’. Às vezes penso que ‘eles pensam que eu não penso’ (como eu - tantos outros - que já deixámos de ser inocentes há muito). Os discursos políticos, as fraudes, os interesses… parece uma encenação televisiva… a que eu sou obrigado a assistir. Estou desencantado com a ‘arrogância’ e a ‘incompetência’ de muitos políticos e de outros líderes. Estou desencantado com a ‘ignorância’ feita discurso fácil e a ‘argumentação’ superficial… sempre estatística (dá para tudo e para todos!).

Eu conheço alguns destes ‘palcos’ e alguma dessa gente e, garanto-vos, que são poucos os que são honestos (a desonestidade virou ‘moda’ – estranho é ser honesto). Os interesses instalados, os desejos de agradar, o ter medo de perder o lugar… fala muito alto e controla ‘este país’ refém de pseudo-políticas ‘estruturantes’. Contudo, tenho de fazer aqui uma homenagem sincera aos ‘resistentes’ que continuam a dar o melhor de si com coerência.

Neste sentido, gostava de dizer que o problema maior em Portugal não é a falta de dinheiro… mas a falta de valores humanos na gestão e na organização das prioridades. Gerimos muito mal o pouco dinheiro que há… e parece que ninguém faz nada – tudo se acomoda.

Os que estão bem, são apenas ‘treinadores de bancada’ e (muitas vezes) contribuem para alimentar a ‘pobreza’ com uma qualquer campanha que assegura a dependência cada vez maior das pessoas. Os que são pobres não têm força para lutar. Alguns passam fome! Quem se preocupa com aqueles que não têm voz? Quem luta pelos direitos daqueles que não têm ‘pão’ à mesa? Quem se faz companheiro daqueles que escondem a ‘pobreza’? Quem assume uma «ética de deveres»?

Temos de dizer que estamos cansados de mentiras e de promessas. Já não basta uma democracia (infantil e adolescente) que só nos deixa votar de tanto em tanto tempo (tantas vezes sem grandes possibilidades de escolha… quase sempre o voto é feito pelo ‘mal menor’).

Eu sinto que tudo isto é bullying político. Convém recordar (basta ir ao wikipédia) que se trata de «um termo inglês utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – ‘valentão’) ou grupo de indivíduos com o objectivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender». Eu diante dos que me governam sinto-me assim coagido a não ser eu plenamente.

Onde estão os Pensadores deste país? Onde estão os Professores Universitários? Onde estão os estudantes? E a Igreja onde se meteu? Onde é que está a voz ‘concertada’ dos Bispos? E os políticos sérios estarão exilados? Onde estão os profissionais competentes?... Parece que cada um está a ‘cuidar de si e dos seus’.

Não se trata de procurar soluções para ‘tapar buracos’… trata-se de denunciar através da criação de novas ‘estruturas’ e novos ‘critérios’ de acção.

Temos políticos a mais no parlamento mas ninguém está interessado em diminuir (ninguém mesmo). Temos gente a ganhar ‘balúrdios’ sem fazer nada (muitos a pagarem-se de favores). Temos pais, filhos, irmãos, sobrinhos, afilhados… sempre nos mesmos lugares (novas dinastias pseudo-democráticas). Temos as fugas criativas nas imensas ‘empresas’ público-privadas. Temos empresas de ‘amigos’ a quem se perdoam os impostos. Temos os projectos ‘sombra’ - megalómanas ideias dignas de um qualquer ‘produtor de petróleo ou diamantes’…

Está da hora de deixarmos o nosso país um pouco melhor do que está a acontecer… Claro que dependerá de cada um de nós, mas dependerá muito mais da capacidade de nos ‘organizarmos’ como sociedade. Precisamos de grupos de cidadãos mais conscientes e da própria Igreja mais activa e comprometida na mudança das estruturas – a partir das causas.

Eis um desafio que vale a pena também (e especialmente) para a minha geração. Eu quero continuar a acreditar que a vida se conjuga com futuro.

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