Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Quando as dificuldades nos fazem crescer


Há vidas difíceis e momentos dolorosos… Quando não se tem acesso ao primeiro emprego, quando se tem de sair do país… É o desemprego, o stress no trabalho, os ordenados em atraso, as discussões na família, os divórcios, os acidentes graves, os lutos difíceis, a violência doméstica, a violência no namoro. Quando se acaba no álcool, na droga, na prostituição, na pornografia…. Quando há dificuldade em ‘encontrar alguém’ para um projecto comum, quando chegam a solidão (não só nos idosos), as depressões, os projectos pouco consistentes… Falta de dinheiro, impostos a mais… E, para escândalo e vergonha nossa se passa fome (no nosso país, na minha cidade). Quantas vezes somos nós próprios os actores principais destes ‘palcos de teatro’ da vida?

Todos nós já sentimos o fracasso, todos nós já experimentámos a fragilidade, todos nós já perdemos alguém… As dificuldades tornam-nos mais ‘humildes’ e menos ‘arrogantes’, aproxima-nos dos ‘outros’. Neste contexto o fracasso e a fragilidade podem revelar-se como espaço teológico da humildade e como oportunidade para aprendemos a ser mais humanos.

Mas nesta vida há pessoas ‘estranhas’ que falam (sempre) de ‘cima para baixo’… Permitam-me que diga que são (quase) sempre as mais incompetentes, as mais ignorantes e ou as mais carentes afectivamente…

Mas voltemos às dificuldades e às muitas ‘crises’ que nos afectam (para além da económica). Pensemos ainda no nosso papel como cristãos (e como comunidade cristã) nestes tempos difíceis.

As pessoas esperam de nós e da Igreja acolhimento não afastamento, esperam compreensão não ataques, esperam de nós uma presença que se faça esperança e não uma acusação permanente das suas faltas, esperam tempo para as escutar e não a pressa de um telefonema… As pessoas esperam consolação, esperança e eternidade.

Se não somos ‘sinais de Deus’ então o mundo e as pessoas não precisam de nós para nada. Mas só podemos partilhar aquilo que somos e vivemos profundamente. Uma vez mais as palavras são muito importantes mas nos gestos (como diz S. Tiago) sente-se a diferença. Nas palavras de Teixeira de Pascoais: «o que fazes fala tão alto que não se ouve o que tu dizes».

Tal como no tempo de Jesus, no meio das muitas dificuldades, hoje as pessoas precisam de quem as coloquem em primeiro lugar, de quem as ame gratuitamente, de quem se entregue por amor.

Mas para isso, temos que sair à rua. É aí que a vida ‘acontece’ e, por isso, é que há-de ser aí que a Igreja se diz. O Pentecostes colocou a Igreja na ‘rua’ a falar a língua comum do amor. Temos que continuar a procurar os caminhos menos percorridos e olhar para os que estão à beira do caminho.

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